"Tem gente que ama,
que vive brigando
E depois que briga acaba voltando
Tem gente que canta porque está amando
Quem não tem amor leva a vida esperando
Uns amam pra frente, e nunca se esquecem
Mas são tão pouquinhos que nem aparecem
Tem uns que são fracos, que dão pra beber
Outros fazem samba e adoram sofrer
Tem apaixonado que faz serenata
Tem amor de raça e amor vira-lata
Amor com champagne, amor com cachaça
Amor nos iates, nos bancos de praça
Tem homem que briga pela bem-amada
Tem mulher maluca que atura porrada
Tem quem ama tanto que até enlouquece
Tem quem dê a vida por quem não merece
Amores à vista, amores à prazo
Amor ciumento que só cria caso
Tem gente que jura que não volta mais
Mas jura sabendo que não é capaz
Tem gente que escreve até poesia
E rima saudade com hipocrisia
Tem assunto à beça pra gente falar
Mas não interessa o negócio é amar...
(Carlos Lyra e Dolores Duran)
Aumente um ponto
Monto ao meu modo cada pedaço da história, conto ao meu jeito, reinvento meus momentos. Tenho medo de passar despercebida ou ser foco de distração.
Clareio meus negritos, rasgo minhas películas.
Eu me vejo essa mulher cheia de parágrafos, mas desconfio das percepções alheias. Tenho medo de que pulem minhas linhas ou cheguem rápido demais ao ponto final.
Não sei virar páginas, ainda que tenha as minhas viradas todos os dias.
Só minha capa é dura, por dentro adoraria ser devorada.
Onde existo inteira é fantasia da minha mente: o mundo não me enxerga e tampouco eu através dele.
Sou um conto e nem sei se meu.
Me conte aí pra ver se existo.
E se eu calar, acabar, for chata ou impossível de ser lida até o final?
Eu bem arrumada e escovada desfilo simplesmente: às vezes o enredo é tão superficial que nem eu quero saber meu final.
Nos diálogos de conquista, solto sempre uma besteira enorme e, por uma analogia às loiras burras do cinema antigo, me torno atraente e acessível.
Mas não tente comer papel, que embrulha o estômago.
Sou conto, não sou mulher.
Sexy como uma mulher nua em revista.
Interessante como entrevista.
Fútil como fofoca.
Prolixa como notícias que são sempre iguais.
Sou breve na vida das pessoas, pois em essência sou engraçada, leve e de mentira como uma crônica.
Sou três pontinhos, exclamação e interrogação. Tudo junto. Para os mais corajosos.
Sou romance, mas não costumo durar para a segunda edição.
Sou mistério: sofrido, complicado e melhor deixar para lá. Mas sempre uma pulga atrás da orelha de quem lê. No que vai dar isso tudo?
Na minha orelha, você leria: menina que não sabe se existe, sabe que ama, mas não sabe o quê, o porquê e até quando.
Sabe que é amada, mas faz de conta que não, porque é um livro de faz de contas.
Sabe que é feliz, mas faz de conta que não, para ser drama.
Complica tudo para transformar a vida num livro de aventuras.
Não sou auto-ajuda, porque quem pensa ter as respostas vive preso a elas.
Espero ansiosamente ser cabeceira de alguém especial, pois não agüento mais tantas traças.
(retirado daqui)
Clareio meus negritos, rasgo minhas películas.
Eu me vejo essa mulher cheia de parágrafos, mas desconfio das percepções alheias. Tenho medo de que pulem minhas linhas ou cheguem rápido demais ao ponto final.
Não sei virar páginas, ainda que tenha as minhas viradas todos os dias.
Só minha capa é dura, por dentro adoraria ser devorada.
Onde existo inteira é fantasia da minha mente: o mundo não me enxerga e tampouco eu através dele.
Sou um conto e nem sei se meu.
Me conte aí pra ver se existo.
E se eu calar, acabar, for chata ou impossível de ser lida até o final?
Eu bem arrumada e escovada desfilo simplesmente: às vezes o enredo é tão superficial que nem eu quero saber meu final.
Nos diálogos de conquista, solto sempre uma besteira enorme e, por uma analogia às loiras burras do cinema antigo, me torno atraente e acessível.
Mas não tente comer papel, que embrulha o estômago.
Sou conto, não sou mulher.
Sexy como uma mulher nua em revista.
Interessante como entrevista.
Fútil como fofoca.
Prolixa como notícias que são sempre iguais.
Sou breve na vida das pessoas, pois em essência sou engraçada, leve e de mentira como uma crônica.
Sou três pontinhos, exclamação e interrogação. Tudo junto. Para os mais corajosos.
Sou romance, mas não costumo durar para a segunda edição.
Sou mistério: sofrido, complicado e melhor deixar para lá. Mas sempre uma pulga atrás da orelha de quem lê. No que vai dar isso tudo?
Na minha orelha, você leria: menina que não sabe se existe, sabe que ama, mas não sabe o quê, o porquê e até quando.
Sabe que é amada, mas faz de conta que não, porque é um livro de faz de contas.
Sabe que é feliz, mas faz de conta que não, para ser drama.
Complica tudo para transformar a vida num livro de aventuras.
Não sou auto-ajuda, porque quem pensa ter as respostas vive preso a elas.
Espero ansiosamente ser cabeceira de alguém especial, pois não agüento mais tantas traças.
(retirado daqui)
Besteiras...
De ontem em diante serei o que sou no instante agora
Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa
Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada
são coisas distintas
Separadas pelo canto de um galo velho
Eu apóstolo contigo que não sabes do evangelho
Do versículo e da profecia
Quem surgiu primeiro? o antes, o outrora, a noite ou o dia?
Minha vida inteira é meu dia inteiro
Meus dilúvios imaginários ainda faço no chuveiro!
Minha mochila de lanches?
É minha marmita requentada em banho Maria!
Minha mamadeira de leite em pó
É cerveja gelada na padaria
Meu banho no tanque?
É lavar carro com mangueira
E se antes, bem antes, um pedaço de maçã
Hoje quero a fruta inteira
E da fruta tiro a polpa... da puta tiro a roupa
Da luta não me retiro
Me atiro do alto e que me atirem no peito
Da luta não me retiro...
Todo dia de manhã é nostalgia das besteiras, das besteiras e das besteiras que fizemos ontem.
(O Teatro Mágico)
Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa
Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada
são coisas distintas
Separadas pelo canto de um galo velho
Eu apóstolo contigo que não sabes do evangelho
Do versículo e da profecia
Quem surgiu primeiro? o antes, o outrora, a noite ou o dia?
Minha vida inteira é meu dia inteiro
Meus dilúvios imaginários ainda faço no chuveiro!
Minha mochila de lanches?
É minha marmita requentada em banho Maria!
Minha mamadeira de leite em pó
É cerveja gelada na padaria
Meu banho no tanque?
É lavar carro com mangueira
E se antes, bem antes, um pedaço de maçã
Hoje quero a fruta inteira
E da fruta tiro a polpa... da puta tiro a roupa
Da luta não me retiro
Me atiro do alto e que me atirem no peito
Da luta não me retiro...
Todo dia de manhã é nostalgia das besteiras, das besteiras e das besteiras que fizemos ontem.
(O Teatro Mágico)
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