Das coisas que dão errado

Ai quando eu falo que tô numa onda toda errada ninguém acredita. Vamos aos causos...

O tal quadrinho de montagem que mencionei há uns posts atrás ficou uma merda. É, assim, simplesmente uma merda. Desmontei descolei tudo e já to com outra idéia... Mas vou deixar pra quando as coisas começarem a dar mais certo. Bom, pelo menos serviu pra eu arrumar minhas gavetas. Tá (quase) tudo no lugar. Com destaque pra uma pasta-arquivo contendo tudo de importante: exames, contra-cheques, contratos, diplomas, documentos etc. Tudo no seu devido lugar. =) 
Daí eu até pensei que se a casa pegar fogo ou qualquer coisa horrivel assim, é só pegar aquela pasta e fugir. Mas ai lembrei que seria impossível eu conseguir pegar meus 22 bichos e decidi que vou morrer com eles. É, a onda pegou meus pensamentos também, mas é sempre bom ter algumas decisões já tomadas, mesmo antes dos problemas aparecerem. E espero que este não apareça nunca. 

Ai decidi pintar o cabelo. Lá no Personare já tinham me avisado que não era um dia bom pra mudanças no visual, mas já tava marcado. A cor só pegou na raíz. E eu tenho uma hiper-mega sensibildiade na pele, meu couro cabeludo arde muito com quimica. Era preciso um tonalizante na raiz pra igualar a cor e a cabeça pegando fogo. Num guentei. To aqui como se fosse morena-pintada com a raiz mais clara crescida. Volto lá semana que vem com a cabeça mais aliviada pra terminar. E num dia em que o Personare não desaconselhe.

Hoje resolvi fazer uma receitinha que já tava separada aqui há meses... Pastel de forno com recheio de proteína de soja refogada com um monte de coisa. Hidratei a soja com curry pra dar gosto, mas exagerei e ficou muito forte. A massa do pastel não desgruda por nada e ficou mega salgada. E olha que segui a receita direitinho. Mas não adianta, quem não tem mão pra cozinha só serve pra comer mesmo. E isso faço muito bem.

... Bem até demais. Tanto que to uns bons quilos acima do meu peso. Resolvi tomar vergonha na cara e me matriculei na academia. E até fui, inclusive. Comecei essa semana. To toda dolorida, mas menos do que esperava. O que mais doeu mesmo foi a bunda, por causa da bicicleta. Hoje deu preguiça. Nem tanta assim, mas eu tava mais afim de me aventurar na cozinha. Antes tivesse ido... 

E dia do amigo né. Sei que tenho alguns ótimos, mas digamos que não estou na melhor fase com eles. Culpa em parte minha, por estar mais introspectiva e enclausurada, e um pouco deles também, por não me procurarem ao menos pra saber se eu estou bem. É, porque tive uns dias ai bem complicados. Dai que tá, chega hoje todo mundo resolve dizer que ama, feliz dia do amigo pra cá e blá blá blá. E eu sou do contra, dia de alguma coisa pra mim é dia que eu to afim. Essas datas comemorativas sempre me irritam um pouco pela hipocrisia... Todo mundo se ama muito nos dias certos. Mas todo dia, que é dia de cuidar, preservar... blé. Tão nem ai. Ai veio um e "poxa, nem respondeu a mensagem pelo dia do amigo". Expliquei e ganhei um "valeu por me chamar de hipócrita". Eu disse isso? Não, eu não disse. Talvez possa ter sido grossa sem querer, como de costume. Um simples "obrigada, pra você também =)" evitaria o transtorno. Seria falso (não pela pessoa, mas pela "obrigação" da data), mas evitaria e ele teria ficado feliz. 
Estranho como as pessoas preferem ser enganadas.

Só queria que meus amigos soubessem que quando eu disser que os adoro num dia qualquer vai ser muito mais sincero.

É isso. To aqui -desempregada ainda- esperando a nuvem preta dissipar pras coisas começarem a entrar nos eixos...

Morri pra todo o sempre infinitamente!

Nessas noites de frio que tal uma xícara de chocolate quente?





Ou você prefere um bolinho?

Daqui




Não é de morrer com tanta fofura e delicadeza?!
Eu já não existo mais!

Quando o passado cai no seu pé

Eu sou uma pessoa extremamente desorganizada. Eu tento não ser, às vezes com muito sacrifício vou lá, ajeito, arrumo, mas daqui a pouco tá tudo bagunçado de novo. É mais forte que eu!
E desde que me entendo por gente, mentalizo aquela velha "nas férias vou fazer isso e aquilo". Poucas vezes consegui fazê-las.
Quando entrei de férias no trabalho e em seguida fiquei desempregada enfiei na cabeça que faria váaaarias coisas, porque sabia que teria tempo de sobra e muitas delas estavam mais do que adiadas e em nível de urgência.
Uma delas é meu armário. A parte de roupas às vezes minha mãe se mete por desespero, mas ela sempre arruma as coisas errado então fico bem puta contrariada quando ela o faz. E apesar de já ter visto várias dicas de organização pelos blogs da vida, me falta coragem. Até porque muita coisa não uso mais e o processo separá-las, colocá-las em sacolas pra serem doadas gera um transtorno muito grande com minha avó remexendo tudo e dizendo "mas isso tá novinho! não serve pra andar em casa?". Enfim, tenso.
Mas a parte do armário que tem ocupado meus pensamentos ultimamente são algumas gavetas com papeis. Uma em especial. Há tempos que não dou uma bela limpa nela. E é aquela gaveta onde jogo tudo: desde recados, telefones sem nome em guardanapos, chaveiros quebrados, o molde da minha boca pra colocar aparelho, recibos e contas pagas etc etc etc... O medo adia nosso encontro.

Bom, outra coisa que estava há um tempo querendo fazer também é um quadrinho com montagem de recortes... Os recortes estavam feitos há meses (mas a salvo da gaveta do triângulo das bermudas) e por esses dias apareceu uma possível base pra minha pseudo-arte. A necessidade de ocupar a cabeça com algo mais útil saudável me chamou pra tentar executar esse meu desejo.
Ajeito de cá, viro, corto e tá faltando alguma coisa. Lembrei que na tal gaveta poderia ter o que falta... Abri. Bom, com algum esforço consegui abri-la, porque o certificado de um curso que fiz estava dobrado e amassado lá dentro dificultando. Quando forcei e consegui, ela caiu no chão.

Um belo banquete pras traças
Não tive como evitar o confronto. Peguei papel por papel... E muitas surpresas!
Uma carta que escrevi pro meu anjo da guarda, agradecendo e fazendo alguns pedidos de aniversário quando ia fazer 14 ou 15 anos.
O recibo de pagamento de mensalidade do CCAA. Vejam só: 2005. 

Agendas antigas com rascunhos de cartas pra ex-namorados. Bonito como o amor é sempre eterno! (risos)
E tantas outras coisas que ainda tenho que ver com calma...

Bom, achei o que eu queria. Mas nem terminei meu quadro, nem arrumei a gaveta ainda. Parei tudo pra vir escrever aqui. Então deixa eu terminar alguma coisa... fui!

Amar é Punk

Eu já passei da idade de ter um tipo físico de homem ideal para eu me relacionar. Antes, só se fosse estranho (bem estranho). Tivesse um figurino perturbado. Gostasse de rock mais que tudo. Tivesse no mínimo um piercing (e uma tatuagem gigante). Soubesse tocar algum instrumento. E usasse All Star. Uma coisa meio Dave Grohl. Hoje em dia eu continuo insistindo no quesito All Star e rock´n roll, mas confesso que muita coisa mudou. É, pessoal, não tem jeito. Relacionamento a gente constrói. Dia após dia. Dosando paciência, silêncios e longas conversas. Engraçado que quando a gente pára de acreditar em "amor da vida", um amor pra vida da gente aparece. Sem o glamour da alma gêmea. Sem as promessas de ser pra sempre. Sem borboletas no estômago. Sem noites de insônia. É uma coisa simples do tipo: você conhece o cara. Começa, aos poucos, a admirá-lo. A achá-lo foda. E, quando vê, você tá fazendo coraçãozinho com a mão igual uma pangaré. (E escrevendo textos no blog para que ele entenda uma coisa: dessa vez, meu caro, é diferente). Adeus expectativas irreais, adeus sonhos de adolescente. Ele vai esquecer todo mês o aniversário de namoro, mas vai se lembrar sempre que você gosta do seu pão-de-sal bem branco (e com muito queijo). Ele não vai fazer declarações românticas e jantares à luz de vela, mas vai saber que você está de TPM no primeiro "Oi", te perdoando docemente de qualquer frase dita com mais rispidez. Ah, gente, sei lá. Descobri que gosto mesmo é do tal amor. DA PAIXÃO, NÃO. Depois de anos escrevendo sobre querer alguém que me tire o chão, que me roube o ar, venho humildemente me retificar. EU QUERO ALGUÉM QUE DIVIDA O CHÃO COMIGO. QUERO ALGUÉM QUE ME TRAGA FÔLEGO. Entenderam? Quero dormir abraçada sem susto. Quero acordar e ver que (aconteça o que acontecer), tudo vai estar em seu lugar. Sem ansiedades. Sem montanhas-russas. Antes eu achava que, se não tivesse paixão, eu iria parar de escrever, minha inspiração iria acabar e meus futuros livros iriam pra seção B da auto-ajuda, com um monte de margaridinhas na capa. Mas, caramba! Descobri que não é nada disso. Não existe nada mais contestador do que amar uma pessoa só. Amar é ser rebelde. É atravessar o escuro. É, no meu caso, mudar o conceito de tudo o que já pensei que pudesse ser amor. Não, antes era paixão. Antes era imaturidade. Antes era uma procura por mim mesma que não tinha acontecido. Sei que já falei muito sobre amor, acho que é o grande tema da vida da gente. Mas amor não é só poesia e refrão. Amor é reconstrução. É ritmo. Pausas. Desafinos. E muitos desafios. Demorei anos pra concordar com meu querido Cazuza: "eu quero um amor tranqüilo, com sabor de fruta mordida". Antes, ao ouvir essa música, eu sempre pensava (e não dizia): "porra, que tédio!" Ah, Cazuza! Ele sempre soube. Paixão é para os fracos. Mas amar - ah, o amor! - AMAR É PUNK.

(Fernanda Mello)

O menino perdido

Lenta infância de onde como de um pasto comprido
cresce o duro pistilo,
a madeira do homem.
Quem fui? O que fui? O que fomos?
Não há resposta. Passamos.
Não fomos. Éramos. Outros pés,
outras mãos, outros olhos.
Tudo foi mudando folha por folha,
na árvore. E em ti? Mudou a tua pele,
o teu cabelo, a tua memória. Aquele que não foste.
Aquele foi um menino que passou correndo
atrás de um rio, de uma bicicleta,
e com o movimento
foi-se a tua vida com aquele minuto.
A falsa identidade seguiu os teus passos.
Dia a dia as horas se amarraram,
mas tu já não foste, veio o outro,
o outro tu, e o outro até que foste,
até que te arrancaste
do próprio passageiro,
do trem, dos vagões da vida,
da substituição, do caminhante.
A máscara do menino foi mudando,
emagreceu a sua condição enfermiça,
aquietou-se o seu volúvel poderio:
o esqueleto se manteve firme,
a construção do osso se manteve,
o sorriso,
o passo, o gesto voador, o eco
daquele menino nu
que saiu de um relâmpago,
mas foi o crescimento como um traje!
Era outro o homem e o levou emprestado.
Assim aconteceu comigo.
De silveste
cheguei a cidade, a gás, a rostos cruéis
que mediram a minha luz e a minha estatura,
cheguei a mulheres que em mim se procuraram
como se a mim tivessem perdido,
e assim foi sucedendo
o homem impuro,
filho do filho puro,
até que nada foi como tinha sido,
e de repente apareceu no meu rosto
um rosto de estrangeiro
e era também eu mesmo:
era eu que crescia,
era tu que crescias,
era tudo,
e mudamos
e nunca mais soubemos quem éramos,
e às vezes recordamos
aquele que viveu em nós
e lhe pedimos algo, talvez que se recorde de nós,
que saiba pelo menos que fomos ele, que falamos
com a sua língua,
mas das horas consumidas
aquele nos olha e não nos reconhece.

Pablo Neruda
Aos 26 anos já não me iludo com a idéia de mudar o mundo. Tampouco as pessoas. Entrei no que eu posso chamar de amadurecimento, finalmente. Não completo - seria isso possível? Mas me sinto mais voltada pra mim, ao que eu quero, ao que me faz bem. Não diria que seja egoísmo. Acho que poucas vezes na vida fui tão generosa. Comigo mesma.
Por muito tempo arrastei uma característica da adolescência: uma espécie de rebeldia, mas que sempre foi movida por um desejo de chocar outrem. Cada atitude "transgressora" era seguida de uma procura por olhares alheios, queria ser vista, interpretada como uma pessoa fora do comum.
O comum sempre me cansou. Mas hoje percebo que mesmo tendo algumas atitudes realmente diferentes da maioria, eu sou bem comum. E me sinto bem sendo assim. Hoje me aceito como sou e a paz "no mundo" que tanto desejamos vem aos poucos tomando conta do meu mundo.
Hoje não me importa como me vêem. Na verdade, para os poucos me interessam, procuro quebrar a imagem que por tanto tempo cultivei. Não é fácil, foram muitos anos de escudos e máscaras "super modernas". Mas também não me preocupo em forçar nada... Não estou procurando mais os olhares para ver se estão me percebendo com minha nova "roupagem". Estou sendo, simplesmente...
E nesse caminhar de me encontrar sinto que vou deixando algumas pessoas surpresas, outras confusas, outras decepcionadas...
Bancar quem se é não é fácil enquanto se quer ser outra coisa. Mas depois que se relaxa e se deixa levar pela enorme onda de si mesma é reconfortante chegar a praia e se deparar com seus verdadeiros desejos. Gostaria que meus amigos entendessem isso, mas muitos a esta hora estão me julgando como maluca, depressiva, bipolar e sabe lá mais o que... rs. E acostumados com a velha Josy, não sabem como aproveitar a nova... Saudade deles. Mas não sinto saudade da velha Josy. E se pra tê-los por perto de novo terei de ressuscitá-la, sinto que vou ficar sozinha mais um bom tempo...