Fiquei me perguntando que comoção toda é essa pela morte do Michael Jackson...
Desde que me entendo por gente sou fã dele. Foi o primeiro artista de verdade que gostei (porque tinha Xuxa, Angélica, aquelas coisas de criança), e eu só tinha 7 anos. Tinha pôster dele no meu quarto, quis muito ir no show que fez aqui no Brasil e ficava puta se alguém falasse mal. Fã mesmo, que nem eu fui anos depois de Backstreet Boys, na adolescência. E assim como com os BSB, mesmo depois da "fase", continuei gostando, ouvindo as músicas vez ou outra... Tá.
Ele morreu. Pô, escroto. Chato à beça. Ninguém tá discutindo isso. O cara era um mega artista, "completo" como andam dizendo toda hora na tevê. Mas há quanto tempo não fazia alguma coisa? Quando ainda aparecia era por causa de alguma polêmica, já daquelas gastas de pedofilia ou cirurgias plásticas deformadoras... Quando lembravam dele, era só pra falar mal. Mídia, pseudo-fãs... "Michael Jackson? Nossa, ainda existe?". Até esses 50 shows que ele faria, ninguém dava crédito: "Será que ele aguenta?", "Hum, não vai ser a mesma coisa..."
Ai do nada a notícia da morte. E o cara não estava velho ou com alguma doença grave anunciada como o Leandro (do Leonardo) ou Cazuza, por exemplo. Nem morreu no auge como os Mamonas ou o Senna, grandes tragédias. Ou seja, ninguém lembrava mais dele. Pra quê esse estardalhaço todo no mundo inteiro?
Depois de tanto pensar... cheguei a conclusão: O Michael era tipo uma mãe.
A fase do auge é a fase que todo mundo ama muito a mãe. Ela é incrível, a mais maravilhosa do mundo. Perfeita.
Depois o auge passou, e vieram as fofocas. É quando você se torna adulto e a mãe vai te enchendo o saco e você se afasta dela. Lembra vez ou outra porque é mãe (astro!), mas quando liga, lembra porque se afastou.
De repente você recebe a notícia que sua mãe morreu, que nem um passarinho. Sem aviso de doença, sem nada. "Cara, minha mãe morreu!"
Choca, claro. Nem te fazia falta, mas porra, era tua mãe! Ninguém pensa que mãe vai morrer, ninguém tá preparado pra isso. Ai você lamenta horrores e se recorda com fotos a maravilhosa e dedicada mãezinha e só fala bem dela. Virou santa de novo. É todo mundo comprando e ouvindo incessantemente os CDs do cara e lembrando só das coisas boas - que ele sempre fez, diga-se de passagem.
É isso, o mundo é o filho hipócrita da mãe que era o Michael.
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