Em tempos de relacionamentos fast-food (pediu-comeu-cabou), outras relações parecem ser igualmente descartáveis.
Você já teve um amigo de quatro patas? Ou mesmo de asas, casco etc... Um amigo bicho! Aquele que te oferece amor incondicional, mesmo que você seja feio, pobre ou esteja suado e fedendo...
Se você tem ou já teve um desse, sabe do que estou falando... Na alegria e na tristeza, seu companheiro está sempre lá.
Mas ai de repente acontece alguma coisa na sua vida, uma mudança radical: um casamento, um filho, até de residência... Ou o animal está velho, doente, ou tem um temperamento difícil e não te serve mais. E você se livra dele. Simplesmente.
A novidade não comporta mais aquele que sempre esteve lá por você. Assim, do nada.
E eu só me pergunto uma coisa: como pode?
Talvez o meu jeito de relacionamento com animais não seja o mais saudável, tudo bem. Trato-os como filhos, alguns dormem comigo. Gosto mais deles do que de muita gente da minha família. Vá lá! Talvez eu seja errada mesmo.
Mas ninguém me convence de que abandonar um bicho ao relento, dá-lo a um conhecido ou qualquer outra atitude de desapego seja o certo. Não adianta!
Animais também têm sentimentos. Não como nós, mas sentem dor, sentem medo, rejeição, depressão até. Assim como também sentem de longe em quem podem confiar, em quem podem amar. Apesar de muitas vezes se enganarem, já que essas coisas teimam em acontecer.
Acredito que pessoas que façam isso também sejam capazes de esquecerem seus pais e avós em asilos, colocarem seus filhos em internatos, trocarem de namorado(a)/esposo(a) como quem troca de roupa... Assim que eles não estiverem mais lhe dando um retorno satisfatório.
Retorno não sei de quê, já que uma pessoa com toda essa indiferença não tem absolutamente nada a oferecer. E jamais estarão satisfeitas em qualquer relação que exija troca.
Egoístas.
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