Ah, os pseudo-intelectuais... Aqueles que entre uma folha e outra dos seus incríveis livros-super-inteligentes dão uma olhadinha na TV ligada no outro cômodo da casa ou na do vizinho, pela janela...
Pedro Bial era ídolo pra mim nas primeiras edições... Depois de anos se drogando com tanto filtro solar, ele tende mais a me irritar do que qualquer outra coisa. Suas poesias fora de hora o tornam mais pseudo do que qualquer um que diz não assistir BBB por estar abaixo do seu nível intelectual. Mas ele ganhou meus aplausos após um belíssimo tapa na cara dessa gente, com as seguintes palavras:
Nós achamos que os gregos antigos eram mais inteligentes que a gente porque eles iam a Ágora. (Ágora era a praça central das cidades gregas.) Eles iam pra Ágora pensar sobre a vida, quer dizer, filosofar. Quem já pensou, já se perguntou sobre a vida uma vez, já fez filosofia. Se foi boa filosofia ou não, é outro papo. O filosofo Mac Whatever* acha uma bobagem a gente se considerar inferior aos gregos antigos só porque a gente fica que nem batata no sofá vendo Big Brother em vez de filosofar na Ágora. E aí ele pergunta, matando a pau: Por que os gregos antigos iam pra praça, para a Ágora? Ora, é claro: porque eles não tinham televisão. =) A televisão é a Ágora contemporânea, onde a gente discute e pensa a vida.
Pensar que há 10 anos o grande escândalo causado pelo Big Brother era o fato de ser um programa que supostamente incentivaria o voyeurismo e o exibicionismo. Ahn?! Alguém lembra que isso era considerado "pervertido"?
Letreiros: 10 anos depois... Discutidas a exaustão nos botequins e jornais populares, homofobia e heterofobia foram coisa da edição passada! Esse ano misoginia - aversão ou ódio às mulheres, virou assunto de mesa de jantar. Ah! E nunca, nunca se falou tão abertamente sobre transsexualismo ou pelo menos nunca houve chance igual. E mais: discutiu-se em profundidade a questão da auto-estima feminina, por causa por exemplo de Paulinha, essa flor de nosso jardim. E por causa de outras flores também. E isso é só parte da história que vocês viveram e nem desconfiam. Mas outros viram... Muitos viram. Essa edição, gentilmente, baixou as calcinhas e cuecas de muita ignorância - a mãe dos preconceitos.
Para um povo enraizado na ignorância como o brasileiro, há de se enfiar alguma informação em sua cabeça a todo custo. E o único jeito, ou o mais rápido e eficaz é assim: com cultura popular. Programas como o Big Brother. Não, não é a maneira mais eficiente. Para mudar um país e seu povo de verdade, a mudança tem que vir de berço. De escola. De saúde. De emprego e condições dignas pra viver. Mas onde, né, Brasil? Sendo assim, acho válido o programa como entretenimento e abertura pra se discutir questões sociais mais do que sérias: comuns. E tentar, ao menos, derrubar tantos tabus.
Não sou BBBmaníaca. Geralmente começo a ver lá pela terceira semana... A saber quem é quem quando o programa já tem lá seu um mês e pouco. Quando as histórias já estão acontecendo e não só o clima "uhul" de muita amizade e deslumbramento do começo. E essa edição, convenhamos, nem emocionou tanto.
Bom, o programa acabou ontem, com uma vitória estereotipadamente inédita. E com minha torcida confessa. Comecei a gostar da Maria quando me vi nela: aquela mulher intensa demais, que se joga de cabeça sem pesar ou pensar nas consequências. Se humilha pelo cara por quem está, ou pensa estar (pelo excesso de carência) apaixonada. É, não me orgulho desse meu lado, mas me orgulho de ao menos, ser eu mesma, de não fazer tipo. E Maria foi assim, ela mesma. Mais do que eu poderia ser capaz, ainda mais em um programa de TV como o Big Brother. E além de tudo... foi taxada de burra, de puta, disseram que ela já tem uma vida boa de grana... (E se cada vez que uma mulher fosse chamada de piranha ganhasse um milhão e meio... Certeza que eu, pelo menos, estaria bem longe dos apertos financeiros que passo!) Bom, e daí? O programa foi dela. Foi conquistado por ela aos poucos. Ela, que se não conseguiu reconquistar Luis Maurício após sua volta ao confinamento, conquistou (quase) todo o publico.
Luis Maurício... esse que me irritou e revoltou tanto! Não acompanhei sua primeira parte no programa, mas o cara, dizem ser gente boa. E olha, não duvido! Parece que ele falava coisas legais dentro da casa, sobre caráter e boas atitudes. Se for isso mesmo, certamente ele teria minha torcida, se eu tivesse acompanhado desde o começo, já que também prezo por tais ideais.
Minha questão com ele foi após sua volta. Quando o cara tinha o programa, o público e o milhão e meio em suas mãos e jogou fora... Sim, jogou. Jogou fora tratando mal a mulher com quem tinha tido um começo de romance e por fofocas julgou e condenou. Ninguém realmente sabe se Maria era ou não garota de programa. E se realmente foi, em que momento de sua história, este simples fato isolado prova ela ser mais ou menos digna de algo ou alguém? Um cara tão correto, bom moço como Luis Maurício é então... pré-conceituoso? Ou é só questão de gosto? "Não curto garotas de programa", como se dissesse "não gosto muito de loiras, prefiro as morenas". Aham, Claudia, senta lá. Ele é sim um tremendo de um hipócrita! Preconceituoso.
E vá, lá! Entendo que ter alguém correndo atrás de você é chato e sufocante. Já estive dos dois lados: sufocada e sufocando. E entendo muito bem que é de se perder a cabeça. E sabe-se lá quais emoções mais se vive dentro daquela casa. Mas ainda assim não justifica. O cara cagou no pau e surtou muito. De preferido do público, que o fez voltar ao programa... foi eliminado com grande porcentagem de votos.
E lembrando ainda o episódio cara-de-cu após Maria ficar com Wesley na festa. Fez por onde. E nem venham me falar de "acordos entre homens", "caráter" e blá blá blá. Me diga aí você, caro homem: você é afim de uma mulher linda, vê um cara pisando e sapateando nela. Apesar disso, tem uma relação amigável com o cara, mas não é seu amigo. De repente ela te dá a maior condição do mundo. Você realmente ignoraria a mulher por... acordo com quem pisou nela? Valha-me, Deus! Se você diz que sim, imagino que seja desses que faz tudo por todos e não consegue nunca ser feliz, porque não sabe respeitar seus próprios desejos e dizer "não" a outrem. Lamento. Por você e pelo Luis Maurício, que depois disso tudo, pra mim se resume em uma palavra: babaca. E quanto ao Wesley, mostrou que não era tão mané quanto se pensava... mostrou ter atitude. Respeito pelos outros sim, mas também e principalmente pelos próprios desejos e a quem merece seu respeito, que no caso, não era o “corneado”.
Voltando a Maria... Ela me conquistou pela identificação. Além do lado vergonhoso de se humilhar por um cara desnecessário... também pela falta de noção ao ficar bêbada e consequentemente tarada. Adoro! Mas ela vai bem além dos meus limites... eu ainda cultivo o pouco de consciência que me resta. Ela não: faz tudo, fala tudo... e não só pras pessoas ali presentes, mas pro Brasil inteiro. Pra mim é tenso demais. Certamente eu travaria em algum momento.
Sobre sua vitória, uso as palavras do Bial:
O fato das coisas não mudarem há muito tempo não quer dizer que as coisas são imutáveis. Reza a lenda - e até faz sentido, que são as mulheres que decidem o Big Brother; que elas é que votam mesmo, e que por isso mulher bonita e gostosa não vai ganhar nunca. "Ah, vai posar nua, fazer novela, o escambau, coisa e tal, casar com homem rico... tá com a vida ganha!" Até que chega uma mulher. Até que chega uma linda mulher que atrai os homens e intriga as mulheres. Até que chega uma mulher que, esfrega não, que afaga na cara das mulheres tudo o que elas detestam ser, ter sido ou vir a ser de novo por alguma circunstância. Circunstância ai quer dizer "homem-que-não-me-quer", ok, bonecas? Vem então essa boneca de pano com um sorriso... ou feitiço? Sei lá! Sorriso no rosto (não acredito em feitiços, acredito em deusas). E com esse tal sorriso e com suas lágrimas, valei-me: ela não apenas sorriu, nem apenas chorou. A propósito, quem é burro mesmo?
Maria é bonita, gostosa, querida, rykah, e tá lá com um bofe lindo, loiro, fofo e médico.
Depois de ser tão pisada, tem volta por cima mais saborosa do que essa?
... Promessa é dívida ...
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