Who cares anyway

Minhas angustias sempre me puxam pra cá. Escrever é uma válvula de escape, embora nem sempre eu saiba o que precisa ser exorcizado.
Há aproximadamente um ano minha vida começou a ficar chata, sem muitos motivos pra comemorar. Claro, nem tudo são nuvens, mas os momentos felizes - ou "alegres" acho que funciona melhor - têm sido mais rápidos, mais passageiros... Por muito tempo tudo muito parado, de repente algo improvável acontece e volto pra mesmice, ainda mais chata que antes.
E acomodação não é uma palavra que combine comigo. Até porque quando ela começa a se instalar, dou uma surtada, porque não consigo ficar muito tempo em algo que não esteja me satisfazendo. Ou surto ou morro.
Só que nem sempre depende exclusivamente de mim. Aliás, poucas vezes. Um trabalho que já não me agrada ainda é preciso pra pagar as contas - malditas responsabilidades! Quando se finda, um pequeno período de alívio pelo auxilio desemprego garantido. Garantido? Dois meses de atraso. Por erro-não-meu e greve dos bancários. Contas se acumulam e credores já nem me ligam mais.
Enfim consigo o emprego que queria! Ou melhor, onde queria! Por meses tentando, várias entrevistas e finalmente documentos entregues, vacina tomada, treinamentos feitos, uniforme separado e... nada! Burocracias e enrolações me deixam em banho maria e toda a empolgação e satisfação sucumbem novamente a mesmice dos dias sem graça.
Por mais que eu tente, e às vezes até consiga por pequenos momentos, me distrair, não pensar nos problemas e fazer algo que me dê prazer... chega uma hora que empaca. Empaca na falta de dinheiro: pra comprar uma tinta pra finalizar um projeto, pra tomar uma cerveja com meus amigos, pra quiça pegar uma condução a qualquer lugar.
Tudo o que eu tanto prezo: liberdade, autonomia, independência, ser dona do meu narizinho lindo... cadê? Há meses nessa clausura da falta de tudo isso. Me sinto fraca, pequena, auto estima se esvaindo. Cansaço.
E não é depressão. Não! Ainda consigo sorrir, ainda tomo banho, ainda quero fazer coisas - e como quero!, mas tô cansada. Cansada de esperar, de tentar, de ter paciência, de surtar, de compreender, de aguentar, de ter esperança, de improvisar.
Rotina não é uma palavra que me agrade totalmente, mas nossa! Como eu queria uma agora! Uma minimamente satisfatória, com um trabalho legal, com um cara legal, podendo ver meus amigos legais. Cuidar da minha vida! Das coisas que vão ficando pendentes pra "quando tiver dinheiro..."
Não sou uma pessoa muito ambiciosa, quer dizer, sou. Não no nível inescrupuloso. Jamais passaria por cima de alguém pra ter o que fosse. Só quero minha independência, conquistada com meu esforço, meu trabalho, meu talento. Seja no que for. Mas que seja meu. Quero ter orgulho de ter o que tiver. Não quero mais ficar cansada de mim, ter pena da situação em que me encontro. Não aguento mais reclamar, me sinto velha. Mas o que posso fazer se estou numa inércia que parece sem fim?
Uma amiga me lembrou de uma coisa que disse a ela há não muito tempo "a gente se fode tanto, que quando as coisas começarem a dar certo, não vão parar mais!"
E eu só espero estar certa...

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